EEBA!

Hoje comemoramos um aninho de blog.

Obrigado pela tolerância, meus caros.

Força e luz.

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Os três chegaram ao supermercado por volta das onze e meia. É o único que fica aberto pelas vinte e quatro horas do dia em toda a cidade. Em vez de encarar um barzinho qualquer – lotado e barulhento – naquela noite tão igual a todas as outras, preferiram passear pelas prateleiras, pegar alguma coisa e conversar no estacionamento mesmo – relativamente sossegado e com uma atrativa vista da cidade. Depois de algumas voltas, acabaram pondo na cestinha apenas umas latas de cerveja e um pacote de salgadinhos, sabor queijo suíço. Ninguém tinha estômago nem dinheiro para nada muito extravagante.

No caixa, a pobre funcionária esperava seu gerente. Uma senhora de distinção questionável encasquetara com o preço de um saco de arroz. Não admitia pagar a diferença de quinze centavos entre o preço anunciado na prateleira e o que os códigos de barra apontavam. Não deve ser fácil evitar um homicídio eminente como este. Presto aqui singela homenagem aos atendentes de estabelecimentos 24 horas de todo o Brasil.

É chegada a hora. Moedas e cédulas à mão. Passa o salgadinho: R$ 3,50. Passam as latinhas: R$ 6 e alguma coisa. Passam os preservativos: R$ 3,30. A moça fita . Preservativos? O que três marmanjos pretendiam fazer com álcool, aperitivos e um pacote de camisinhas a uma hora destas? Creio ter sido melhor para sua saúde psicológica não tentar imaginar. Os quatro se entreolharam, tentando entender o que se passava. Eles, preparando sem querer uma orgia gay regada a malte e amido de milho. Ela, apenas tentando fazer o seu trabalho, com a maior naturalidade possível.

De onde vieram aquelas camisinhas, ninguém sabe até hoje.

Onde foram parar, também não.

Peixe fresco

08/01/2010

Posso dizer que comecei o ano bem, ao menos em se tratando de música para ouvir. Mal cheguei de viagem e já levei uma bica na canela. E de ninguém menos que ela: Björk. Ainda arrotava sidra quando encontrei na rede o disco “Gling-Gló”, de 1990, disponível para download. Acompanhada pelo trio do pianista Guðmundur Ingólfsson, com Þórður Högnason ao contrabaixo e Guðmundur Steingrímsson à bateria, a islandesinha interpreta canções tradicionais de seu país e uns poucos temas de jazz norte-americanos.

Destes, destaco “The Old Lamp-lighter”, de Nat Simon, que recebeu letra em islandês de Eiríkur K. Eiríksson*, tratamento mais que fino do trio de Ingólfsson e muito carinho de Björk . As letras do álbum podem ser encontradas no site de Björk (http://www.bjork.com/facts/lyrics/).

O vídeo abaixo foi feito durante os ensaios realizados antes da gravação disco, que ocorreu em apenas 3 dias, praticamente toda ao vivo.

Simples e saudável.

2010

02/01/2010

Salve!

Tomado por esta aura leve e esperançosa de começo de ano, depois de entupir-me de panetone e champagne, vim até aqui para retomar as atividades e reinaugurar o blog, com direito a novo layout e tudo. Vi na virada de ano o momento oportuno mudar umas coisas – e continuar teimando com outras. Férias, mais que merecidas, botaram no lugar alguns parafusos. Já é tempo de voltar à picareta.

Um próspero novo ano para nós.

Chuva

24/11/2009

O amor não precisa de muito.

Disso eu sei.

Ócio

15/09/2009

Chamava-se Orlando. Não tinha pernas, braços ou tronco. Afora isso, era um menino normal, como todos os outros do colégio de padres.

Dividia o quarto com outros dois. Um, Beto, roncava deliberadamente debaixo do cobertor xadrez. O outro, João – Batista para os padres, Buiu, para os internos – saíra cedinho para ajudar na arrumação da capela. Sua cama era uma cesta de vime forrada com retalhos de tecido mantida sobre a escrivaninha que ficava de frente para a janela, da qual era possível ver o portão do colégio, algumas árvores e a quadra onde, toda sexta-feira à tarde, jogava-se futebol.

Assistia à vida ao som do vento. Este mexia nas folhas das arvorezinhas; tocava suas pontas, fazia com que valsassem todas em comunhão.Passarinhos passeavam pelo pátio. Pareciam procurar, perdidos, pedacinhos de pão, como na praça da matriz. Dia calmo. Lento, vagaroso, quase inerte; arrastava-se molemente naquele pedaço de chão esquecido por todos – menos por deus e pela CPFL. Preferia pensar que tivera sorte. Nunca se ouvira falar em outro caso o como o seu. Ainda menos num internato como aquele. Não tinha de que reclamar, a não ser pelo fato  de que sua maior vocação era a de peso de papel. Não andava. Não falava. Não tinha mãos. Mas gabava-se: segundo o Padre Antônio, selo mais bem lambido não havia.

Tédio não era problema.

Fome

13/09/2009

olho

Cheguei à faculdade para uma aula teórica – contraponto, harmonia barroca, etc. Subi as escadas, virei no corredor à esquerda mas parei na porta. Dei uns dois passos para trás e lá, naquela salinha, um senhor de óculos, mãos no queixo, falando para a atenta platéia, composta por outros estudantes do instituto. Um grupo de jovens intrumentistas estava a postos, como que aguardando instruções. Ao dirigir-se a um deles, o senhor sugeriu um tema de jazz. Supus, por conta do sotaque, que fosse estrangeiro. Era Phil DeGreg, pianista e professor da Universidade de Cincinatti, EUA. Trouxera consigo alguns alunos, banda completa: piano, contrabaixo, bateria, trombone e saxofones. Alguns estudantes brasileiros juntaram-se ao grupo durante o workshop, para tocar temas de jazz e de música brasileira – a que eles conhecem, a bossa nova. Todos, de modo geral, demonstraram domínio do instrumento. Execução limpa, bons timbres, leitura. A escolha de repertório, tanto pela parte gringa, quanto pela tupiniquim, foi coesa. O que me decepcionou foi ver, mais uma vez,  que o brasileiro ainda é quadrúpede.

A improvisação no jazz funciona de um modo bastante simples. É tocado o tema, melodia principal, previamente escrita, e, a partir da forma (idas e vindas das partes do tema), os músicos revezam-se em seus solos. Quem toca um chorus, improvisa sobre toda a progressão de acordes que acompanha a melodia, do início ao fim, até que um outro músico tome seu posto no início do próximo chorus, ou seja, quando a primeira parte do tema começa de novo. Um a um, os estudantes tocavam seus respectivos chorus. Pude notar que os norte-americanos recebiam palmas bastante entusiasmadas. Até demais para o meu gosto. Era perceptível a diferença entre a reação dos presentes ante o improviso de um dos visitantes e de um dos nossos colegas de classe, o que não me surpreenderia se houvesse desnível entre os dois. Seria justo. E só para constar: o melhor improvisador presente aprendeu as primeiras notas numa fanfarra do interior paulista.

Ocorre que tanto nós quanto eles comparecemos dignamente quando convocados. E isso não é de hoje. O músico brasileiro não deve nada a nenhum outro. Diria até que, por conta de grande mistura de raças e culturas a que é exposto por natureza,  pode considerar-se em ligeira vantagem. Ninguém tem música como temos. Nosso infeliz histórico de tronco e chibata continua presente nessas pequenas coisas. Por aqui, tudo se avacalha.

Depois que o grão-mestre da maçonaria foi o imperador, não duvido de mais nada.

Trabalho

05/08/2009

Ele ganha mais do que eu. Traja-se bem. É um cidadão respeitado.

E só.

Tá osso…

26/07/2009

Crendeuspai...

Delta

22/07/2009

Nego retinto – nada são – moendo o sax. Com direito a plantinha.

Que medo.